terça-feira, 24 de maio de 2011


PAZ
Marta Medeiros




Paz se pratica no dia-a-dia, dentro da família, com os amigos, no local de trabalho, na beira da praia, nas filas, no trânsito.

Não adianta vestir branco numa passeata e depois soltar os cachorros em quem lhe cruzou a frente do carro.

Grande porcaria empunhar um cartaz dizendo PAZ se meia hora depois se estará sendo prepotente dentro do escritório em que trabalha.

O que mais vejo é gente que se diz do bem mas no cotidiano abusa da grosseria.

Quer fazer alguma coisa pelo mundo? Comece deixando os outros em paz.. Não os iraquianos ou uma tribo indígena, mas os outros coladinhos em nós: Paulos, Flavias, Rodrigos, Silvanas.

A gente sempre tem uma afinetadinha guardada na manga, uma fofoquinha indolor para passar adiante, uma criticazinha construtiva para doar generosamente.

Se fossêmos pacifistas mesmo, saberíamos que nem toda intromissão é bem-vinda e seríamos parceiros apenas das risads, confidências, dores, e entusiasmos, o que já é bastante coisa.

E cuide da sua paz interior também. Quantos de nós estão em paz?

Você se sente em casa dentro do seu próprio corpo? Muitos não passam de hóspedes de si mesmos.

Estar em paz é aceitar serenamente que você não tem tods as armas para conquistar o que deseja, não tem munição suficiente para levar todos os seus planos adiante
e não possui um exército que diga amém para todos os seus delírios.

Você está só e é um sujeito heróico dentro do possível.

Costuma ir a luta por um emprego, por um amor, por dinheiro, por objetivos razoáveis, e quando não dá certo, não dá, e quando erra, paciência, e quando acerta, oba, e quando está cansado, se recolhe,, e quando está triste, chora, e quando está alegre, vibra, e quando enxerga longe, vai em frente, e quando a visão embaça, freia, e quando está sozinho, chama, e quando quer continuar sozinho, não chama.

Primeiro passo para a PAZ: reconciliar-se consigo próprio.

É o que a gente pode fazer de mais concreto, por mais abstrato que pareça.
COMPROMISSOS E COBRANÇAS

Tenho pensado muito a respeito dessas duas palavras: compromisso e cobraça. Para muitos assusta é sinônimo de algo ruim, uma "prisão", ser sufocado. Nossa vida é um compromisso, a vida nos cobra. Mas as pessoas não se dão conta. Preferem se isolar a criar vínculos, trocar afeto, companheirismo, carinho cara a cara. Nos tornamos virtuais. É mais prático, mais rápido e não nos expomos.
Parece que é a cultura do "pega mas não se apega" que ouço muito dos meus alunos adolescentes, mas que parece já ultrapassou a faixa da adolescência. Somos aparência e não mais essência. Ficar, sexo casual, balada, pegação. Fora é claro o não comprometimento com as pessoas, os amigos, os estudos e sei mais o que.
Onde será que foi parar o passeio de mãos dadas, olhar alguém e ver mais do que a aparência, o abraço, o estar juntos, o afeto real. Infelizmente aprendi que hoje as palavras têm muito pouco valor, ou nenhum. As pessoas falam o que bem querem, sem pudor para conseguirem o que querem e terem o que querem. Dizer é muito fácil. O que falta é atitude. Hoje vejo a minha vida como necessitada de atitudes: minhas e dos outros. porque palavras... há, palavras não me dizem mais nada.
Quero poder ter a atitude de me assumir. Assumir minhas idéias, meus desejos, minhas expectativas, meus sonhos. Mas ainda não consigo porque posso estar "cobrando", pedindo "compromisso", então me acomodo dentro das circunstâncias.
Engraçado, tudo que nos faz bem e felizes exige naturalmente compromisso e muitas vezes geram cobranças: nossos filhos, nossa profissão, nossos amigos e companheiros, nossas escolhas de cada dia, a amizade, o amor, a caridade. Quem é espírita como eu sabe que temos compromissos a cumprir conosco e com os outros e que isso nos será cobrado.
Pois é, acho que esse meu papo ta soando como um desabafo. Queria não me importar, não me comprometer. Mas não posso, não sou assim e não posso fugir da minha essência e daquilo em que acredito. Esse é meu compromisso, essa é  a minha cobrança.